Apologia a magreza masculina



Surgindo das trevas do tempo, homens de magreza doentia desfilam nas passarelas de Saint Laurent evocando espíritos de roqueiros mortos. 


Não parece que esses garotos saíram direto do túmulo para o desfile? Com seus cabelos longos, olhos ocultos pelos chapéus de aba larga, calças justíssimas, alfaiataria slin, jaquetas recortadas do tempo espaço. Napolêonicas, Oscar wildicas, Jimi hendricas...

Fazendo antítese aos modelos greco-romano que transitam por outras passarelas A Saint Laurent evoca a magreza masculina num padrão tão assustador quanto o supracitado. Se de um lado da balança estão homens em carapaças de músculo, do outro estão representantes da completa ausência de qualquer coisa além dos ossos que compõe o esqueleto frágil que se equilibra sobre as botas de couro de crocodilo. Ambos se assemelham por serem  extremos quase inalcançáveis aos reles mortais.

Mas não é justamente na beleza da impossibilidade que a moda está pousada? É no desejo pelo inalcançável que se atrela a vida humana desde os tempos mais remotos, na ilusão, no surrealismo, e até no medo? A moda reside no universo da magia, e os meninos esqueléticos da Saint Laurent apresentam um estilo místico composto por roupas bastante comerciáveis. Afinal hoje em dia um bom mágico não pode tirar um coelho da cartola se ele não puder ser vendido.



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